segunda-feira, 28 de março de 2011

44 anos do assassinato de Edson Luis

Em 28 de março de 1968, os estudantes do Rio de Janeiro estavam organizando uma passeata relâmpago para protestar contra a alta do preço da comida no restaurante Calabouço, que deveria acontecer no final da tarde do mesmo dia.

Por volta das 18 horas, a Polícia militar chegou ao local e dispersou os estudantes que estavam na frente do complexo. Os estudantes se abrigaram dentro do restaurante e responderam à violência policial utilizando paus e pedras. Isso fez com que os policiais recuassem e a rua ficasse deserta. Quando os policiais voltaram, tiros começaram a ser disparados do edifício da Legião Brasileira de Assistência, o que provocou pânico entre os estudantes, que fugiram.

Os policiais acreditavam que os estudantes iriam atacar a Embaixada dos Estados Unidos e acabaram por invadir o restaurante. Durante a invasão, o comandante da tropa da PM, aspirante Aloísio Raposo, atirou e matou o secundarista Edson Luís com um tiro a queima roupa no peito. Outro estudante, Benedito Frazão Dutra, chegou a ser levado ao hospital, mas também morreu.



15. Edson Luis – Ano 1968 AS MANCHETES


PM Mata Estudantes Durante Invasão (Correio da Manhã)

Assassinato (Correio da Manhã)

Assassinato Leva Estudantes A Greve Nacional (Jornal do Brasil)

Polícia Mata Estudante (Diário de Notícias)

A Ordem Era Quebrar Tudo: PM Acabou Massacrando Estudante (diario de Notícias)

Negrão Demite Superintendente Da Polícia E Promete Apurar Tudo

PM Fuzila Estudante No Cabouço (O Jornal)

Polícia Mata Estudante – Morte No Calabouço – Uma Patrulha Da PM Abriu Fogo Contra Os Estudantes No Calabouço – Com Um Tiro No Coração Morreu O Jovem Nélson Lima Souto De 17 Anos – Assembléia Reunida – O Corpo Do Jovem Foi Para A Assembléia Legislativa, Que Se Reuniu Em Sessão Permanente – A Tensão Deu Origem A Sucessivos Incidentes – Negão Pune Culpados – O Governador Negrão De Lima Reuniu O Secretariado E Afirmou Que A Tranqüilidade Será Imediatamente Restaurada E Os Culpados Punidos (Última Hora)


PM Mata Estudante A Bala Na Rua (Última Hora)

Nélson Morreu Nos Braços Dos Companheiros (Última Hora)

Milhares De Pessoas No Funeral Do Estudante (O Dia)


AS MATÉRIAS



“A preparação de uma passeata de protesto, que se realizaria hoje, contra o mau funcionamento do restaurante do Calabouço, cujas obras ainda não terminaram, foi a causa da invasão daquele estabelecimento, por choques da Polícia Militar, e que resultou no massacre de alunos e na morte do estudante Edson Luís Lima Souto, assassinado com um tiro de pistola calibre 45, pelo tenente Alcindo Costa, que comandava o Batalhão Motorizado da PM do local.Os estudantes foram surpreendidos com a invasão policial, tendo os soldados disparado rajadas de metralhadoras enquanto o tenente que comandava o choque gritava pelo megafone “parem de atirar, eu não dei ordem para ninguém atirar”. Logo depois, o mesmo oficial sacou sua arma e fêz os disparos, um dos quais atingiu Edson Luís Lima Souto. O corpo de Edson ainda foi levado para a Santa Casa, na Rua da Misericórdia. Ali, o médico Luís Carlos Sá Fortes Pinheiro anunciou que o aluno já estava morto. Seus colegas, em seguida, levaram-no para o saguão da Assembléia Legislativa, onde se formou uma fila de populares para velar o corpo, em meio a violentos discursos de vários líderes políticos.
O massacre policial continuou após a morte de Edson Luís Lima Souto e outros estudantes e curiosos foram feridos por estilhaços de granadas e bombas de gás lacrimogêneo indistintamente. (…)”
“Estudantes reuniram-se, ontem, no Calabouço, para protestar contra as precárias condições de higiene do seu restaurante. Protesto justo e correto. O Correio da Manhã, nesta mesma página, já condenou a inércia em que o Estado vem-se mantendo diante das reiteradas reivindicações estudantis. Apesar da legitimidade do protesto estudantil, a Polícia Militar decidiu intervir. E o fêz à bala. Há um estudante (18 anos) morto, um outro (20 anos) em estado gravíssimo. Um porteiro do INPS, que passava perto do Calabouço, também tombou morto. Um cidadão que, na Rua General Justo, assistia, da janela de seus escritório, ao selvagem atentado, recebeu um tiro na bôca. Êste o saldo da noite de ontem. Não agiu a Polícia Militar como força pública. Agiu como bando de assassinos. Diante desta evidência cessa tôda discussão sôbre se os estudantes tinham ou não razão – e tinham. E cessam os debates porque fomos colocados ante uma cena de selvageria que só pela sua própria brutalidade se explica.
Atirando contra jovens desarmados, atirando a êsmo, ensandecida pelo desejo de oferecer à cidade apenas mais um festival de sangue e morte, a Polícia Militar conseguiu coroar, com êsse assassinato coletivo, a sua ação, inspirada na violência e só na violência. Barbárie e covardia foram a tônica bestial de sua ação, ontem. O ato de depredação do restaurande pelos policiais, após a fuzilaria e a chacina, é o atestado que a Polícia Militar passou a si própria, de que sua intervenção não obedeceu a outro propósito senão o de implantar o terror na Guanabara. Diante de tudo isto, depois de tudo isto, é possível ainda discutir alguma coisa? Não, e não. (…)” Correio da Manhã, 29 de março de 1968.


“A morte do estudante Édson Luís de Lima Souto, de 16 anos – baleado no peito, às 18h30m de ontem, durante um coflito da PM com estudantes no Restaurante do Calabouço – provocou a greve geral de várias Faculdades do Rio e o movimento deverá estender-se pelo País. O corpo da vítima, que está sendo velado na Assembléia Legislativa, sairá às 16 horas de hoje para o Cemitério São João Batista.

Os acontecimentos agitaram a sessão noturna da Câmara dos Deputados onde o Sr. Lurtz Sabiá pediu que o Congresso fique em sessão permanente, e o Deputado Brochado da Rocha sugeriu que as duas Casas do Congresso se transformassem em Comissão Geral para investigar os fatos ocorridos no restaurante dos estudantes. O Congresso Nacional e a Assembléia Legislativa da Guanabara decretaram luto. O Ministro da Justiça, Sr. Gama e Silva, saiu de Brasília e voltou ontem à noite ao Rio.

O Governador Negrão de Lima, numa reunião de mais de duas horas com o Secretário de Segurança, General Dario Coelho, e outras autoridades, no Palácio Guanabara, decidiu afastar o General Osvaldo Niemeyer da Superintendência da Polícia Executiva, para que os acontecimentos sejam apurados com tôda a isenção. Ficou também decidida a instauração imediata de inquérito policial a ser orientado por um membro do Ministério Público.
Todos os estabelecimentos de ensino do Estado não funcionarão hoje em sinal de pesar pela morte de Édson Luís, por determinação do Sr. Negrão de Lima. Alguns teatros do Centro e da Zona Sul, que estavam funcionando quando se verificou o atrito entre a PM e os estudantes, suspenderam os espetáculos em sinal de solidariedade – e o público, ao ser inteirado do motivo, aplaudiu de pé.

O Sr. Carlos Lacerda não se alterou ao receber, em São Paulo, a notícia da morte do estudante. Êle falava no Painel de Debates da Assembléia Legislativa de São paulo, promovido pelo MDB, quando recebeu um bilhete sôbre os acontecimentos do Rio. Fêz uma pausa no discurso, leu o comunicado e declarou: “Não acredito que o Sr. Negrão de Lima seja o responsável”. Em seguida, prosseguiu no seu pronunciamento.

Na Câmara Federal, as galerias ficaram lotadas de estudantes, que aplaudiram sucessivos pronunciamentos dos deputados da Oposição. O presidente do Congresso, Sr. Pedro Aleixo, ameaçou várias vêzes de mandar retirar os manifestantes. Em defesa do Govêrno – sempre atacado pela Oposição – falou apenas o Sr. Último de Carvalho. Leu um texto oficioso, afirmando que já estava prevista, há algum tempo, a passeata dos estudantes, “empunhando as bandeiras do Brasil e do Vietcong”.

Há, por enquanto, duas versões para o atrito de ontem à noite no restaurante dos estudantes: 1) estes jantavam, pacificamente, enquanto outros assistiam a uma aula, quando um choque da PM, chefiado por um tenente de nome Alcindo ou Costa, invadiu o restaurante e iniciou o espancamento, ao qual os estudantes reagiram com pedradas que, por sua vez, provocaram tiros; 2) os estudantes teriam sido colhidos pela PM, em plena manifestação contra o atraso na conclusão das obras do restaurante.
Além do estudante morto, do outro ferido a tiro e de vários espancados pela PM, houve mais uma vítima: o comerciário Telmo Matos Henriques, ferido na bôca por uma bala quando estava à sua mesa de trabalho, numa firma próxima. O choque da PM retirou-se do restaurante desfechando tiros para o ar – e na passagem por uma galeria deixou nas paredes marcas de balas que, segundo testemunhas, seriam de metralhadoras.
O estudante Édson Luís foi conduzido pelos companheiros, à Santa Casa de Misericórdia, onde, constatada a sua morte, iniciou-se o cortêjo rumo à Assembléia Legislativa. O corpo foi erguido nos braços da multidão que entoava o brado “polícia assassina” ao dar entrada na Assembléia. Ali houve, durante a noite, vários comícios estudantis, de protesto violento contra o Govêrno – e uma multidão postou-se, até à madrugada, na expectativa dos acontecimentos.
Em visita à Assembléia, o General Niemeyer defendeu os policiais. Indagado por que a polícia atirara, respondeu:
- A polícia estava inferiorizada em potência de fogo.
- Potência de fogo? É arma?
- É tudo aquilo que nos agride. Era pedra.” Jornal do Brasil, 29 de março de 1968.
“A ordem era “quebrar tudo” e foi cumprida. A PM cercou o Calabouço; depois, houve a invasão e o massacre. A princípio, foram os cassetetes; a seguir, os revólveres. O ataque só foi suspenso quando havia um morto no chão: Nelson Luís Lima, uma bala no coração. Outro estudante – Benedito Frasão Dutra, 20 anos – escapou com vida, fingindo-se de morto. Sèriamente ferido, foi conduzido pelos companheiros juntamente com o corpo do estudante-mártir, até o saguão da Assembléia Legislativa. As violências nào terminaram: a ordem era prender. Mais tarde vieram as bombas de gás lacrimogenio e o número de feridos multiplicou-se.
O massacre virou crise. O Sr. Negrão de Lima reuniu-se com todos os auxiliares. SNI presente. Aulas de hoje estão suspensas. Luto é geral: escolas, diretórios, a própria Assembléia. O general Osvaldo Niemeyer foi afastado; determinou-se abertura de inquérito. Parlamentares pediram a queda de tôda a cúpula da PM. A camisa do jovem morto foi erguida como estandarte por seus colegas: o protesto continua. Os diretórios acadêmicos de tôdas as faculdades decretaram greve geral e marcaram assembléia para hoje. Os teatros da Guanabara fecharam e os artistas hipotecaram solidariedade aos estudantes, ficando em luto oficial durante três dias. Pedido o afastamente de Dario Coelho. O governador mandou prender o tenente assassino. O sepultamento será às 16 horas, no Cemitério de São João Batista, por conta do Estado.”

” “Vão lá e quembram tudo”: a ordem do comandante do choque foi cumprida e, minutos depois, no Calabouço, usando revólveres e cassetetes, a Polícia Militar iniciou o massacre dos estudantes, só parando de bater quando já havia um morto – Nélson Luís de Lima Souto, 16 anos – e vários feridos, a bala, a socos e a coronhadas.
Os jovens estavam reunidos no restaurante, quando foi ordenado o cêrco – seis carros da PM fechando tôdas as saídas – e, logo que os policiais abandonaram suas posições, os moços saíram em direção à Assembléia, levando nos braços um companheiro morto e outro agonizante, para a manifestação de protesto, até a madrugada.
Às 18 horas de ontem, cêrca de 600 estudantes reuniam-se no Calabouço, esquematizando a passeata em que reivindicariam a conclusão das obras do restaurante e do Instituto Cooperativo de Ensino. De repente, surgiram os carros da PM e o cêrco foi feito: dois na frente do prédio, quatro atrás. Às 18h30m, os policiais avançaram, em direção à entrada do restaurante. Quando ocorreu a invasão, os estudantes procuraram defender-se, usando pedras e sacos de areia.
Começaram os disparos: os soldados da PM atiravam para o alto, de início, mas logo passaram a acionar suas armas em tôdas as direções, tanto que chegaram a atingir um comerciário que assistia a tudo, da janela de uma firma comercial. Nélson Luís de Lima Souto foi o primeiro a cair: uma bala no coração derrubou-o na hora. Logo depois, outro estudante recebia dois tiros: no braço e na cabeça. Só então veio a ordem do comandante do choque: iniciar a retirada. (…)” Diário de Notícias, 29 de março de 1968.
“O fuzilamento de estudantes no Calabouço, que provocou a morte do menor Nelson Luiz Lima Souto, levou o governador Negrão de Lima a demitir o general Oswaldo Niemeier Lisboa do cargo de Superintendente da Polícia Executiva, como primeiro passo visando a que o inquérito que vai apurar os responsáveis pelo massacre “não fique sòmente no âmbito policial”. Vários outros feridos, entre populares que assistiam às manifestações, estudantes e jornalistas foram medicados no Pronto Socorro, uns atingidos pelos cassetetes dos Pms, outros pelos estilhaços das bombas e balas.
Às 22 horas, o general José Horácio da Cunha Garcia, comandante do I Exército, decretava a prontidão em tôdas as guarnições da Guanabara. Os estudantes contrataram o advogado Sobral Pinto como seu patrono no processo de punição do autor ou autores da morte de Nelson Luiz.
Enquanto isso o governador Negrão de Lima lamentava a violência policial e decretava luto oficial, hoje, em tôdas as Escolas Públicas, com suspensão das aulas. O governador acentuou também que os estudantes terão “toda a liberdade” para fazer o entêrro de seu colega morto e, por sua ordem direta, foram soltos os 14 estudantes presos nos incidentes.
O secretário de Imprensa da Presidência da República, jornalista Heráclio Sales, decretou, em Brasília, que o presidente Costa e Silva estava plenamente informado, através do Ministério da Justiça, de tôdas as ocorrências na Guanabara e que o Govêrno estava “adotando as providências necessárias para a manutenção da ordem”. Ontem, à noite, veio de Brasília para o Rio, com instruções do titular da Justiça, o coronel Florismar Campelo, diretor-geral do Departamento Federal de Polícia, e hoje deverá chegar ao Rio o ministro Gama e Silva.
Os estudantes não concordaram em que o corpo de Nelson Luiz saísse da Assembléia Legislativa e a uma e meia da madrugada foi feita a autópsia no local onde o estudante está sendo velado. Em Belo Horizonte, universitários reunidos no Centro Acadêmico Afonso Pena fizeram uma série de protestos, com comícios no recinto da Faculdade de Direito. Também os universitários da Faculdade de Direito do Estado da Guanabara decretaram luto oficial por três dias e propuseram às demais Faculdades o não comparecimento às aulas, hoje, em sinal de protesto.
Os acontecimentos também tiveram pronta repercussão no Congresso, que, reunido à noite, suspendeu o início da discussão do chamado projeto dos ociosos, para que diversos oradores abordassem a situação na Guanabara. O Sr. Raul Brunini foi o primeiro orador, fazendo um relato das ocorrências e condenando “o vandalismo e a covardia da Polícia”. O Sr. Mariano Beck falou em seguida, para expressar a solidariedade gaúcha ao povo carioca, o mesmo fazendo o Sr. Pereira Pinto, em nome da bancada do Estado do Rio. Diversos outros oradores sucederam-se na tribuna, inclusive o lider do MDB, deputado Mário Covas, que responsabilizou diretamente o governador Negrão de Lima pelos acontecimentos. A sessão se prolongou até às duas horas da madrugada.” O Jornal, 29 de março de 1968.
“O estudante Nelson Luis Lima Souto, de 17 anos tombou com um tiro no coração quando a polícia militar invadiu o Calabouço, na tarde de ontem, iniciando um massacre que resultou em grande número de feridos e provocou um clima de tensão em todo o centro da cidade. O comandante do choque da PM, Tenente Alcindo, é acusado pelos estudantes de ter assassinado Nélson a sangue-frio, encostando a arma em seu peito. Grande área do aterro foi transformada em campo de batalha, com os soldados da Polícia Militar disparando armas de fogo contra os estudantes, que denunciaram a participação de tropas da Aeronáutica, utilizando metralhadoras.”
“Três choques da PM e a guarnição de duas viaturas de patrulha chegaram ao Calabouço no momento em que os estudantes organizavam a passeata de protesto contra o aumento de precos das refeições e a demora na conclusão do restaurante. Auxiliados por uma tropa da Aeronáutica, entraram no restaurante disparando suas armas e dois estudantes cairam feridos: Benedito Frazão Dutra e Nélson Lima Souto. Este morreu pouco depois, nos braços dos companheiros. Outro tiro feriu o comerciante Talmo Henrique, em seu escritório.” Última Hora, 29 de março de 1968.
“Milhares de pessoas desfilaram, das 6 às 15 horas de ontem, diante do corpo do estudante Nélson Luís Lima Souto, que foi velado na saguão da Assembléia Legislativa depois da autópsia feita pelo legista Nilo Ramos. O corpo estava envolto na Bandeira Nacional e se achavam sôbre o peito dois têrços, cravos e um caderno de Geometria, que pertencia ao extinto. Um representante da Casa do Pará colocou sôbre o corpo uma Bandeira do Pará, terra natal do estudante. Mais de trinta coroas foram enviadas à Assembléia por estudantes sindicais e estudantis.

Cêrca de vinte pessoas, das quais apenas um homem, sofreram crises emocionais. Uma senhora idosa caiu em prantos. Um aluno do Pedro II disse à reportagem: “Antes havia greves e não matavam estudantes”. A jovem Carmem Santos Corrêa, que estava nos jardins da Cinelândia, teve mal súbito, sendo medicada no Hospital Sousa Aguiar.

Cinco mil pessoas, aproximadamente, se aglomeravam em frente à Assembléia, não se notando, nas proximidades, policiais fardados, mas apenas agentes do DOPS e do SNI. O trafégo foi desviado para a Avenida Rio Branco e Rua evaristo da Veiga.
Até às 15 horas, os estudantes haviam recebido, de donativos, três mil cruzeiros novos, que se destinarão à construção de uma estátua, em homenagem ao morto, em frente ao Restaurante Central dos Estudantes. o restante, segundo ficou deliberado, seria enviado à família do estudante, em Belém do Pará e custearia os funerais, pois foi recusado o oferecimento do Govêrno estadual.
A Srta. Cléia Martins, prima, em segundo grau, de Nélson Luís e também comensal do Restaurante Central, disse que teve conhecimento da morte através do rádio.

Com a presença de milhares de pessoas, na grande maioria estudantes, realizou-se, às 19h30m de ontem, no Cemitério de São João Batista, o sepultamento do jovem Nélson Luís de Lima Souto, abatido a tiro durante um conflito ocorrido no Calabouço, quando membros da Cooperativa de Ensino estavam reunidos para acertar detalhes visando à realização de uma passeata de protesto.
O féretro deixou o recinto da Assembléia Legislativa, onde o corpo foi velado, às 16h20m e seguiu por várias artérias da cidade, onde ocorreram alguns incidentes sem gravidade. O enórme número de acompanhantes atrasou sensívelmente o entêrro, já que o caixão teve de permanecer por mais de uma hora à porta do Cemitério, aguardando que a massa humana fôsse retirada da frente.
Com colegas do morto revesando-se na condução da urna mortuária, o cortejo fúnebre tomou a Avenida Beira-Mar, seguindo, após, pela Praia do Flamengo, onde em frente ao prédio da extinta UNE, um grupo de estudantes queimou uma bandeira americana, usando da palavra na oportunidade, os representantes da FUEG Flademir Palmeira e Luís Brito.
Na Praia de Botafogo, utilizando-se de pedras, os participantes do féretro foram quebrando tôdas as lâmpadas dos postes. Na Rua da Passagem pediram a dois guardas que tirassem o quepi à passagem do corpo. Os policiais se recusaram e os estudantes jogaram seus quepis longe, o que quse originou nôvo conflito.

Cêrca de 18,20 horas, o cortejo aproximou-se do Cemitério São João Batista, onde já se encontravam duas tias da vítima, senhoras Virgília Souto e Enedina Souto Pauferro, esta última espôsa do 1o Sargento da Aeronáutica Manuel Pauferro. Dezenas de coroas, a maioria ofertadas por Diretórios Estudantis, foram depositadas na quadra 14, em frente à gaveta 602, última morada do jovem Nélson Luís. Os gritos de “vingança” e de “assassinos” se sucediam, ao mesmo tempo em que faixas eram desfraldadas. Entre elas registramos uma dirigida às mulheres: “Senhoras, Nélson poderia ser seu filho”.

Às 19,10 horas o caixão alcançou a entrada da quadra 14, um corredor com menos de dois metros de largura. Não pôde porém aproximar-se da gaveta 602, situada ao fundo, pois a massa humana invadiu o corredor, ansiosa por ocupar um lugar privilegiado, onde pudesse acompanhar as últimas homenagens que seriam prestadas ao estudante assassinado. (…)
Dez minutos mais tarde, a urna com o cadáver de Nélson Luís foi depositado na gaveta. Grupos de estudantes continuavam a clamar pr vingança, enquanto rasgavam outra bandeira americana, com o fogo quase chegando à multidão. (…)” O Dia, 30 de março de 1968.
 

 

quarta-feira, 23 de março de 2011

Deputados defendem ideia estudantil de criar fundo social do minério

Confira o video da manifestação.

Deputados da Assembleia Legislativa de Minas Gerais vão articular uma audiência pública de comissões como uma das iniciativas de apoio à proposta do movimento estudantil mineiro de criação de um fundo social vinculado aos royalties da mineração. Os recursos desse fundo seriam destinados ao desenvolvimento da educação, ciência e tecnologia. Esse foi um dos resultados de reunião no Salão Nobre, nesta quarta-feira (23/3/11), entre estudantes secundaristas e universitários e o 2º-secretário da ALMG, deputado Alencar da Silveira Jr. (PDT); deputados Sargento Rodrigues (PDT) e Luiz Carlos Miranda (PDT) e deputada Liza Prado (PSB). Centenas de estudantes participaram de manifestação no Espaço Democrático José Aparecido de Oliveira, reivindicando mais investimentos na educação em Minas e no País.

"A Assembleia vai encampar a ideia do fundo social do minério, promovendo a audiência como ponto de partida para outras ações", destacou o 2º-secretário, que representou o presidente da casa. Alencar da Silveira Jr.(PDT) repassou aos estudantes a mensagem do presidente da Assembleia "de política de portas abertas para a sociedade". A audiência citada por Alencar poderá ser das comissões de Educação, Ciência e Tecnologia e de Participação Popular, mas os detalhes do requerimento da audiência e sua data ainda serão definidos. Os estudantes ficaram de mobilizar outros deputados para ampliar as assinaturas do requerimento. O líder do PDT, deputado Sargento Rodrigues, ofereceu o apoio da bancada aos estudantes, avaliando a criação do fundo como "consistente e coerente", mas ponderou que é preciso analisar a melhor forma de viabilizá-la.

A presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE), Luiza Lafetá, reconheceu que a legislação que trata de mineração é federal, ou seja, tem de ser aprovada pelo Congresso Nacional. Mesmo assim, defendeu uma saída estadual para viabilizar o fundo. Tanto os deputados presentes quanto os manifestantes lembraram que há projetos sobre mineração tramitando na Assembleia; e que a proposta estudantil poderia ser concretizada por meio de emenda a um deles. O deputado Luiz Carlos Miranda enfatizou que a aprovação de qualquer ideia depende "mais dos estudantes que dos deputados", reforçando a necessidade de mobilização. Esse também foi o tom da fala da deputada Liza Prado (PSB), para quem a força popular é um diferencial.

Mobilização nacional - Os estudantes chegaram à Assembleia de Minas na manhã desta quarta vindos do centro de Belo Horizonte. A pauta da manifestação incluiu outros pontos, além da criação do fundo social sobre os royalties da mineração. Eles reivindicaram a estadualização da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg), conforme destacou o representante da União Colegial de Minas Gerais (UCMG), e outras conquistas em nível nacional. O vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), enfatizou a urgência de se investir 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em educação. Hoje esse índice está em 7%.

A UNE e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) pretendem apresentar 59 emendas ao Plano Nacional de Educação, em tramitação no Congresso, a fim de viabilizar as propostas estudantis. A manifestação na Capital mineira, segunda realizada no País neste mês, dentro da programação da Jornada Nacional de Lutas, faz parte desse esforço de mobilização.

Responsável pela informação: Assessoria de Comunicação - http://www.almg.gov.br/


terça-feira, 22 de março de 2011

JORNADA DE LUTAS DE MARÇO DE 2011

Chamamento da União Estadual dos Estudantes de minas Gerais à Jornada de Lutas 2011

Amigo estudante, o ano de 2011 inicia um novo ciclo político para o Brasil, no qual nós temos um papel fundamental na luta pelo aprofundamento das mudanças vivenciadas nos últimos anos. Neste período o povo tem grandes expectativas de ampliação de direitos e de reformas estruturantes para o Brasil soberano e democrático e sonha com uma longa fase de desenvolvimento econômico, social e sustentável. É com essa expectativa que o movimento estudantil pretende disputar nas ruas os rumos do Brasil e de Minas Gerais.

O movimento estudantil obteve diversas vitórias no período recente e foi fortalecido com a ampliação do ensino superior. Com isso, temos hoje melhores condições para enfrentar os limites e as contradições na construção do projeto democrático e popular.

O movimento estudantil tem lado nessa disputa e a UEE mineira tem a tarefa de propor uma agenda que defenda a ampliação qualitativa das políticas progressistas para a educação e para a juventude. Por isso convocamos todos os estudantes mineiros a saírem as ruas no dia 23 de março em defesa de um projeto democrático e soberano que passa pela conquista das seguintes bandeiras:

1) A luta pela reformulação do Plano Nacional de Educação. Queremos consolidar vitórias do ultimo período e implementar mudanças profundas como a democratização da universidade, ampliação radical do ensino superior público. Queremos 10% do PIB para a educação e 50% do Fundo Social do Pré-sal para a educação!

2) Defendemos a criação do FUNDO SOCIAL DO MINÉRIO essa é uma grande oportunidade de solucionar uma injustiça social e econômica de longa data. Minas é o maior estado minerador do país. Em 2010 o estado foi responsável pela geração de mais de 50% dos royalties do país. É grande, portanto, a responsabilidade de todos os mineiros. Queremos a criação do fundo social do minério para garantir de que a riqueza gerada pelo minério vá diretamente para a educação e desenvolvimento social.

3) Exigimos a imediata gratuidade da Universidade Estadual de Minas Gerais, bandeira histórica dos estudantes mineiros. Após anos de lutas e pressão da UEE contra o descaso do governo do estado com o ensino superior, “arrancamos” a criação do grupo de trabalho para estudar a estadualização da UEMG. Devemos cobrar para que essa sinalização se concretize.

4) Defendemos que Minas Gerais regulamente a lei aprovada no congresso Nacional em LEI Nº 11.738, DE 16 DE JULHO DE 2008 que estipula o piso Nacional dos Professores.

5) Queremos a democratização do Conselho estadual de Educação que é composto apenas por entidades patronais. Este conselho precisa contar com a participação de toda comunidade educacional, as entidades do movimento social não podem estar de fora.

6) Somos contra a opção política tomada na área econômica recentemente, de aumentar seguidamente os juros e o anúncio de cortes no orçamento, como os 3 bilhões do MEC e Ciência e Tecnologia, exigindo que as Universidades Federais cortem 10% de seu orçamento de custeio e o congelamento dos concursos públicos

Venha conosco, organize a Jormada de Lutas em sua universidade, entre para este time que ao longo de décadas na história do Brasil nunca cansou de lutar por uma nova Educação e um novo país.

UEE MG Gestão 2009/2011

domingo, 12 de dezembro de 2010

Delegados ao 13º CONEG da UNE já estão eleitos em Minas



Os delegados ao 13º CONEB da UNE que reunirá em janeiro de 2011 mais de 2500 Centros e Diretórios Acadêmicos de Universidades de todo país ja foram eleitos.
Em Minas Gerais elegeram-se 332 representantes de entidades de base que discutirão os rumos da política da UNE frente ao novo governo Dilma.
O ponto principal do encontro provavelmente será a garantia dos investimentos necessários para o implementação do novo Plano Nacional de Educação que foi discutido amplamente com os vários segmentos educacionais durante a CONAE 2010.

Confira o Mapa do Credenciamento

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Documento Referência para o 13º CONEB da UNE





MOVIMENTO REINVENTAR
13º CONEB da UNE
14 a 17 de janeiro/2011, na cidade do Rio de Janeiro.



“SE A GENTE QUER O BRASIL PODE,
EDUCAÇÃO DE QUALIDADE E EM QUANTIDADE JÁ”



CONEB o que é?

O Conselho Nacional de Entidades de Base - CONEB é um dos principais fóruns de deliberação da União Nacional dos Estudantes UNE, em 2011 Diretórios e Centros Acadêmicos se reúnem para debater os principais temas nacionais.

Quando?

O 13º CONEB da UNE acontece entre 14 e 17 de Janeiro de 2011 na cidade do Rio de janeiro.

Como participar?

Para a entidade de base participar do CONEB ela deverá indicar um estudante e um suplente do curso representado. A ata de indicação do delegado será credenciada por um diretor da UEE no dia 8 de dezembro junto à comissão de organização do CONEB. A ata e o regimento interno para preenchimento encontram se no site da UNE http://www.une.org.br/

O Papel do Movimento Reinventar.

Há cerca de quatro anos nasceu o Movimento Reinventar, com uma proposta de atuação diferente no Movimento Estudantil, prezando pelo diálogo e buscamos sem sectarismo debater com todos os setores do Movimento Estudantil a fim de chegarmos a um consenso acerca dos rumos da educação. Não nos pautamos em ser na UNE oposição por oposição, ou ser situação simplesmente pelo status de poder na entidade, sabemos bem quais são as práticas de todas as correntes que participam da UNE e não nos furtamos em construir a unidade quando se trata dos direitos dos estudantes e da soberania nacional.

A grande mídia e setores de oposição vêm tentando descaracterizar as lutas da UNE dizendo que ela sucumbiu aos interesses do governo sem ter independência. A verdade é que não podemos fechar os olhos para um governo que após anos de descaso com a educação vem somando esforços para ampliar o acesso à universidade com programas como o PROUNI e o REUNI. Foram criadas mais de 14 novas universidades públicas e mais de 200 escolas técnicas, além de 150 extensões universitárias. Entendemos que houve avanços nesse último período, mais que ainda temos muito por lutar. Precisamos ainda garantir assistência Estudantil a todos os estudantes carentes principalmente os beneficiados pelo PROUNI que precisam não só do acesso mais também de garantir sua permanência na IES. Visando o fim do vestibular precisamos ainda de um profundo debate sobre o ENEM que deve ser fortalecido afim que ele seja sim o instrumento de acesso dos milhões de estudantes que ainda estão fora da universidade. Precisamos com muita coragem e disposição, denunciar a vergonhosa dívida pública que consome quase 50% do orçamento da União em juros de uma dívida impagável, além de exigir uma auditoria da mesma. Garantir 10% do PIB para a educação, e mais investimentos em setores como saúde e infra-estrutura.

Portanto, nosso papel é de contribuir no debate dos grandes problemas nacionais colocando o estudante como agente transformador de nossa realidade, mostrando para a sociedade que não se obtém grandes mudanças de braços cruzados esperando que façam por nós. Estamos cada vez mais dispostos a lutar por uma juventude mais antenada e participativa na construção de uma educação digna dos grandes pensadores educacionistas do Brasil, pois como já dizia o professor Darcy Ribeiro:

"A universidade é o útero das classes dirigentes da nação do futuro. Nenhuma sociedade pode viver sem universidades."

O progresso do nosso país, passa pelo pesado financiamento da Educação

O país demonstrou claramente para onde seguir nas últimas eleições. Findado o processo eleitoral de 2010 é hora de seguirmos rumo a um futuro melhor.

Se queremos avançar e ingressar no futuro de fato faz-se necessário investir em educação. No último período o Brasil atingiu uma economia mais consolidada no cenário internacional, demonstra maturidade em suas relações bilaterais, investe em infra-estrutura necessária ao nosso permanente crescimento e desenvolvimento econômico, implementa e desenvolve grandes programas sociais a fim de resgatar em menor espaço de tempo desigualdades históricas, mais só vamos consolidar e manter nosso desenvolvimento com educação.

O futuro é agora, e ele depende de uma educação pública, gratuita de qualidade, libertadora, que seja universal, laica, que incentive a pesquisa, que valorize os profissionais da educação, que garanta o acesso e a permanência, e sobretudo que garanta as fontes de financiamento para educação.

Já no inicio de 2010 a Conferência Nacional de Educação - CONAE aprovou o no Plano Nacional de Educação, Diretrizes e Estratégias de Ação - PNE, esse contou com a participação de diversos setores da sociedade envolvidos com o tema educação. O novo PNE tem vigência de 2011 a 2020.

Nossa proposta aqui é garantir que todos os debates a cerca da construção do novo PNE, que passou por várias etapas, desde a escola até sua aprovação final no plenário da CONAE, sejam agora implementadas. Suas políticas são de caráter de Estado e devem ser aplicadas desde já, visando à concretização das metas estabelecidas no PNE, independentemente de quem passe pelo governo nesse período. É tarefa da UNE construir uma agenda positiva de mobilizações e intensos debates a fim de garantir que isso aconteça desde já.

· 10% do PIB para a Educação
· Estabelecimento de referenciais de qualidade para todos os níveis educacionais.
· Regulamentação do setor privado
· Universidade democrática com paridade em todos os órgãos de decisão

Essas dentre outras resoluções contidas no novo PNE devem ser bandeiras de lutas para os próximos períodos. A UNE precisa apontar claramente suas prioridades e iniciar as lutas necessárias para execução do PNE, esse deve ser o papel de vanguarda, que o conjunto dos estudantes espera da sua entidade máxima.

Portanto é importante que a UNE observe aspectos de democracia dentro entidade, mantenha diálogo permanente com todos os campos que a compõe. É preciso respeitar a pluralidade de opiniões, transparência na gestão dos recursos da entidade. E não podemos deixar de citar, a UNE vai precisar de muita, mais muita mobilização dos estudantes para garantir os avanços necessários.

O Movimento Reinventar participa desse 13º CONEB, com muita clareza de que temos que apontar e debater os principais temas da educação para os avanços no país, e que é preciso agora foco e unidade na construção da pauta de lutas para os próximos períodos. E nada mais urgente que a UNE coordene e unifique os movimentos sociais em torno dessa luta.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

VOZ ATIVA vence eleições para o DCE UFMG

Na última quinta-feira (18), o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFMG elegeu a sua nova diretoria para o próximo período


A Chapa "Voz Ativa" (PCR - Consulta Popular e REINVENTAR) foi a vencedora com 1.748 votos. Em segundo lugar ficou a chapa "Transformar o tédio em melodia" (PSTU), com 1.580. Em terceiro, a chapa "Outras Palavras" (UJS PCdoB - DS/PT) contabilizou 1.174 votos. Havia outras três chapas concorrentes.

A eleição consolida a participação do DCE da UFMG junto a UNE lutando pelas bandeiras mais avançadas da educação. A nova gestão assume com o compromisso de fazer um DCE cada vez mais combativo na defesa de uma UFMG pública, gratuita e de qualidade.

A eleição é, também, uma contundente resposta dos estudantes às perseguições promovidas contra o movimento estudantil da UFMG. No último período, estudantes foram jubilados por lutar em defesa da assistência estudantil e até um código de conduta discente que criminaliza as mobilizações estudantis no interior da universidade foi formulado pela reitoria.

O diretor da União Estadual dos Estudantes de Minas Gerais (UEE-MG), Bruno Lacerda, declarou: "A eleição da chapa Voz Ativa consolida e fortalece o movimento estudantil na UFMG estavamos a mais de 4 anos trabalhando para alcançarmos este ojetivo e agora vamos fazer uma gestão que vai escrever uma nova história no DCE/UFMG.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

ENEM 2010

Os grandes avanços na educação nos últimos anos se deram em função de muita pressão do Movimento Estudantil encabeçados prioritariamente pela UNE e UBES dialogando com as UEEs de vários estados. O Exame Nacional do Ensino Médio é sem dúvidas o nosso melhor caminho para uma grande conquista, o fim do vestibular e a democratização do acesso ao ensino superior seja ele público ou privado. Houve sem dúvidas uma grande sensibilidade do governo Lula em relação à educação, justamente um "analfabeto" como cansaram de criticar, construiu 14 universidades federais e mais de 200 escolas técnicas pelo Brasil a fora, fruto do dialogo com o movimento estudantil enquanto seu antecessor o "professor" FHC não construiu nada.
O ENEM deve ser defendido como essa ferramenta de acesso as IES de todo Brasil, porém nós estudantes temos que aprofundar no debate acerca da aplicação do exame e reparar todos os erros. Precisamos concertar coisas básicas a começar pela redução da abstinência de 27% parte dela causada pela própria insensibilidade do MEC em não se atentar para o fato de que as grandes cidades brasileiras sofrem com grandes problemas de mobilidade urbana. Temos relatos de estudantes deveriam se deslocar para bairros distantes de onde moram para fazer a prova isso causou um gigantesco "nó" no transito de muitas cidades, por mais que os estudantes se esforcem para chegar a tempo são contidos por circunstancias alheias a sua vontade e tem literalmente os portões fechados em sua cara.
Um grupo de estudantes de Belo Horizonte registrou ocorrência policial pela intolerância dos seguranças do centro Universitário UNI BH, eles alegam que chovia muito e problemas no trânsito teriam causando o atraso eles foram impedidos de entrar em meio ao tumulto nos portões, segundo eles os estudantes estavam em fila e às 12:55 em ponto os portões foram fechados não sendo dado nenhum um minuto de tolerância.Muito além da organização logística do exame, problemas relacionados a erros de impressão das provas são questões básicas que não podem de forma alguma acontecer, depois de um ano de esforço correr o risco de ser prejudicado pela falta de confiança na aplicação das provas é o fim.
A UNE e a UBES lançaram uma central de denúncias para que o estudante lesado possa fazer sua reclamação. A central vai funcionar pelo e-mail enem2010@une.org.br e pelo telefone 11 2771.0792, das 9h às 17h, de segunda a sexta-feira.
Um protesto de estudantes já está marcado para sábado dia 15 de novembro na praça 7 em BH estudantes prometem se vestir de preto e colocar nariz de palhaço cobrando uma posição de um novo ENEM para todos que se sentiram prejudicados.
O Movimento Reinventar se soma a UNE e UBES ressaltando que defender o ENEM é antes de tudo corrigir seus erros.



Por Bruno Lacerda